ERRADICAÇÃO DA DOENÇA DE AUJESZKY (DA) DE REBANHOS SUÍNOS POR SOROLOGIA DIFERENCIAL E ELIMINAÇÃO DOS ANIMAIS POSITIVOS

A Doença de Aujeszky (DA) é uma doença infecto-contagiosa causada por um herpesvírus, de notificação oficial, pertencente a lista B do código zoosanitário internacional da OIE (Office International des Épizooties). A primeira descrição da DA existente no Brasil é de 1912, e em Santa Catarina, de 1984. Nos suínos, ela pode provocar febre, depressão, sintomas nervosos, respiratórios e reprodutivos. Na maternidade, provoca sintomas nervosos e alta mortalidade de leitões. Na fase de creche e crescimento-terminação, a medida que os suínos vão crescendo, reduz-se a taxa de mortalidade e os sintomas nervosos, porém aumenta a dificuldade respiratória e a tosse. Nas porcas em reprodução pode provocar aborto em qualquer período de gestação e aumento na repetição de cio, mumificação fetal e nascimento de leitões fracos.

Os suídeos são os únicos animais considerados reservatórios naturais do Vírus da Doença de Aujeszky (VDA), sofrem infecção latente, e sob certas condições de estresse, este vírus pode ser reativado, resultando em eliminação e transmissão para animais suscetíveis. Nos animais soropositivos desta espécie, o VDA pode estabelecer latência por períodos longos nos gânglios nervosos. Esta é a principal razão porque os rebanhos positivos convivem com a infecção, mesmo fazendo uso da vacinação, sem manifestar a doença.

A erradicação do VDA dos rebanhos pode ser feita por despovoamento, seguido de vazio sanitário e repopulação com suínos livres (com custo elevado) ou pelo uso de vacinas marcadas mortas ou vivas e deletadas para alguma glicoproteína (gp). Tais vacinas mostram-se eficientes na redução ou mesmo bloqueio da transmissão do (VDA) e estão disponíveis para programas de erradicação, baseados na diferenciação entre animais vacinados e infectados. No Brasil, a utilização de vacina para controle da DA é controlada pelo MAPA, que somente permite o uso de vacinas deletadas para gE. Em abril de 2001 foi iniciado um programa de erradicação desta doença dos rebanhos suínos do Estado de Santa Catarina, coordenado pela Embrapa Suínos e Aves e uma das alternativas usadas foi a vacinação dos suínos e sorologia diferencial com eliminação dos soropositivos. Para maior chance de eficiência, a erradicação por sorologia deve ser implementada nas granjas cuja prevalência sorológica para o VDA sobre os reprodutores for inferior a 10%, em uma amostragem de soros, considerando prevalência de 5% e nível de confiança de 95%. Este protocolo mostrou-se eficiente em erradicar o VDA dos rebanhos e muito mais barato e menos traumático que o processo de erradicação por despovoamento. O protocolo básico utilizado foi:

  1. Realizar a vacinação de todo rebanho de reprodutores machos e fêmeas, três vezes ao ano, com vacina contra a DA, morta e deletada para gE; os leitões vacinar com vacina viva, deletada para gE, com uma dose aos 70 dias de idade;
  2. Realizar sorologia contra a DA com kit ELISA diferencial para gE a cada 60 dias de todo rebanho de reprodutores e eliminar imediatamente os animais soropositivos. Nas unidades de produção em ciclo completo realizar também sorologia por amostragem (15 suínos por rebanho) nos suínos de terminação com mais de 60 kg, para verificar se está havendo circulação do VDA no rebanho. Caso isto se confirme, o rebanho deve permanecer por mais um ano sob vacinação contra o VDA antes de iniciar o programa de erradicação.
  3. O rebanho somente deve ser considerado livre da infecção pelo VDA após duas sorologias negativas em 100% dos reprodutores, seguidas de duas monitorias sorológica negativas realizadas em uma amostragem de reprodutores (prevalência estimada em 5% e nível de confiança de 95%) seis e doze meses após a primeira sorologia 100% negativa. Além disso, nas unidades produtoras em ciclo completo, as sorologias por amostragem nos suínos de terminação com mais de 60 kg de peso, também devem ser negativas.
  4. Os rebanhos em processo de erradicação do VDA não devem aumentar o plantel e limitar ao mínimo necessário a reposição de reprodutores (20 a 30% ao ano), tendo o cuidado de vaciná-los contra DA com duas doses (15 a 30 dias de intervalo entre elas) durante a quarentena. Quem não têm quarentena deve alojá-los em local mais isolado possível do resto do rebanho, vaciná-los imediatamente e somente colocá-los em contato com o restante do rebanho cerca de 15 dias após a aplicação da segunda dose da vacina.

O custo para erradicar o VDA de um rebanho, considerando os custos atuais (28/12/04) de produção, da vacina contra o VDA e dos exames sorológicos diferenciais, foi estimado em R$ 48,10 por matriz, enquanto que o custo de manutenção de um rebanho infectado pelo VDA é de R$ 65,00 por matriz/ano. Isto significa que, em um ano, o programa de erradicação do VDA em um rebanho se paga e têm como sobra uma vantagem econômica de R$ 16,90 por matriz instalada. Além disso, deve-se considerar os benefícios obtidos para a região, estado ou país com um programa de erradicação do VDA, considerando outros aspectos como a possibilidade de aumentar o comércio de reprodutores e do mercado exportador.

Importante: Rebanhos ou regiões infectadas pelo VDA que desejam implementar um programa de erradicação, devem inicialmente implantar rigoroso programa de vacinação dos reprodutores com a vacina morta e deletada para gE, durante dois anos, para reduzir a taxa de infecção para menos de 10%, para após iniciar o programa de erradicação.