Embrapa Suínos e Aves
Sistema de Produção, 1
ISSN 1678-8850 Versão Eletrônica
Jul./2003
Produção Suínos
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Monitorias Sanitárias

A monitoria sanitária é uma maneira sistemática e organizada de acompanhar no tempo e no espaço a saúde de um rebanho. Pode ser realizada com vários objetivos como a certificação da granja livre de algumas doenças (GRSC), o diagnóstico e a avaliação de medidas de controle e de programas de vacinação. O Quadro 6 apresenta os tipos de monitorias aplicadas na produção de suínos.



Quadro 6. Tipos de monitorias sanitárias aplicadas em produção de suínos com seus respectivos métodos e suas vantagens e desvantagens.

Tipos de monitoria Métodos Vantagens Desvantagens
Clínico-patológica Exame clínico e necropsia
Praticidade
Subjetividade
Laboratorial Sorológico, bacteriológico, virológico, parasitológico, histopatológico
Sensibilidade, especificidade, objetividade
Alto custo, demora
Abatedouro Anatomopatológico
Baixo custo, avaliação de maior número de animais, avaliação de várias enfermidades em um mesmo momento
Pouco preciso
Fonte: (Referência n° 38) Soncini e Madureira Júnior (1998).


 Monitorias clínicas
Monitorias laboratoriais
 Monitorias no abatedouro

 

Monitorias clínicas


É importante que sejam realizadas pelo mesmo avaliador para diminuir risco de erro. Tais monitorias podem ser feitas a cada 15 dias ou uma vez por mês, dependendo do objetivo e do tamanho do rebanho.

  • Diarréia: em leitões, na maternidade, avalia-se a consistência das fezes, classificando-as em normais=1; pastosas=2 e líquidas=3. Uma leitegada é considerada com diarréia quando dois ou mais leitões apresentam fezes líquidas. Após, faz-se uma classificação quanto à severidade em: insignificante = sem registro de diarréia; pouca = diarréia com duração de um a cinco dias; muita = diarréia por mais de cinco dias (Referência n° 23).
  • Na creche, crescimento e terminação, periodicamente, lotes de suínos por determinado número de dias no mesmo horário. Quando mais de 20% dos animais estão com diarréia, considerar o lote como afetado, classificar quanto à intensidade da seguinte forma: nenhum dia com diarréia por semana = lote sem diarréia; um a três dias por semana com diarréia = lote com pouca diarréia; quatro ou mais dias com diarréia = lote com bastante diarréia.
  • Tosse e Espirro: essa avaliação é realizada para se estimar a ocorrência de rinite atrófica e de pneumonias em lotes de suínos nas fases de creche ou crescimento/terminação. Um índice é estabelecido para tosse e outro para espirro, em três contagens consecutivas de dois minutos cada, realizadas da seguinte forma:
    • a)- movimentar os animais durante um minuto;
      b)- aguardar por um minuto;
      c)- realizar a contagem de tosse e espirro simultaneamente;
      d)- movimentar os animais;
      e)- contar novamente;
      f)-  movimentar os animais;
      g)- contar novamente.

    A freqüência é determinada pela seguinte fórmula:

    Média das três contagens / Número de animais no lote x 100

    Freqüência de espirro menor que 10% indica pouco problema de rinite atrófica e freqüência de tosse menor que 2% indica pouco problema de pneumonias (Referência n° 26).

  • Onfalite: reflete a qualidade do manejo do recém-nascido e do programa de limpeza e desinfecção da maternidade. Examinar no mínimo cinco leitegadas, entre 15 a 20 dias de idade, por sala de maternidade, quanto à presença de nódulo ou má cicatrização umbilical por inspeção e palpação (leitão em decúbito dorsal). A seguir, calcula-se a freqüência pela seguinte fórmula:
  • Número de leitões com onfalite / Número de leitões examinados x 100

    A freqüência de leitões com esse tipo de alteração não deve ser superior a 10%.

Monitorias laboratoriais


A monitoria de doenças usando recursos laboratoriais como testes sorológicos, microbiológicos, parasitológicos e histopatológicos possibilita o acompanhamento mais preciso da saúde do rebanho. Existe uma variedade de testes disponíveis no mercado para atender às diferentes doenças. A decisão de qual teste usar e para qual doença deve ser tomada pelo veterinário responsável pela granja. O acompanhamento clínico do rebanho, uso de vacinações e/ou medicações devem ser considerados na interpretação dos resultados.

Os testes podem ser diretos como a identificação e caracterização do agente, muito úteis no diagnóstico e acompanhamento do rebanho, ou indiretos. Entre os indiretos, os mais comuns são os testes sorológicos que medem a presença de anticorpos contra determinado agente e são utilizados no auxílio ao diagnóstico, na avaliação de efeito da vacinação e no acompanhamento de duração de anticorpos maternos. A prova da tuberculina pareada é um teste indireto imuno-alérgico utilizado para classificar o rebanho quanto à infecção por microbactérias (Referência n° 28).

 

Monitorias no abatedouro

A forma vertical da organização dos sistemas de produção de suínos, prevalente na região sul do Brasil, facilita a visita aos abatedouros para acompanhamento do abate de lotes de interesse. Desta forma pode-se estabelecer um programa de monitoria de doenças, através da determinação da prevalência e gravidade de lesões observadas ao abate. Embora as lesões observadas no abate digam respeito à infecções crônicas e sua evolução depende das condições sob as quais os animais foram submetidos, continua sendo uma prática muito útil pelo seu baixo custo e praticidade, mas necessita de pessoa treinada para executá-la (Referência n° 21).

 

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