A monitoria sanitária é uma maneira sistemática e organizada de acompanhar
no tempo e no espaço a saúde de um rebanho. Pode ser realizada com vários
objetivos como a certificação da granja livre de algumas doenças (GRSC),
o diagnóstico e a avaliação de medidas de controle e de programas de vacinação.
O Quadro 6 apresenta os tipos de monitorias aplicadas na produção de suínos.
Quadro 6. Tipos de monitorias
sanitárias aplicadas em produção de suínos com seus respectivos métodos
e suas vantagens e desvantagens.
| Tipos de monitoria |
Métodos |
Vantagens |
Desvantagens |
| Clínico-patológica
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Exame clínico e necropsia
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Praticidade
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Subjetividade
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| Laboratorial |
Sorológico, bacteriológico, virológico,
parasitológico, histopatológico
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Sensibilidade, especificidade, objetividade
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Alto custo, demora
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| Abatedouro |
Anatomopatológico
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Baixo custo, avaliação de maior número de animais, avaliação
de várias enfermidades em um mesmo momento
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Pouco preciso
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| Fonte: (Referência n° 38) Soncini e Madureira Júnior
(1998).
Monitorias clínicas
Monitorias laboratoriais
Monitorias no abatedouro
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| Monitorias
clínicas |
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É importante que sejam realizadas pelo mesmo avaliador para
diminuir risco de erro. Tais monitorias podem ser feitas a cada
15 dias ou uma vez por mês, dependendo do objetivo e do tamanho
do rebanho.
- Diarréia: em leitões, na maternidade, avalia-se a consistência das fezes, classificando-as em normais=1;
pastosas=2 e líquidas=3. Uma leitegada é considerada com diarréia
quando dois ou mais leitões apresentam fezes líquidas. Após, faz-se uma classificação quanto à severidade em: insignificante
= sem registro de diarréia; pouca = diarréia com duração de
um a cinco dias; muita = diarréia por mais de cinco dias (Referência
n° 23).
- Na creche, crescimento
e terminação, periodicamente, lotes de suínos por determinado número de dias
no mesmo horário. Quando mais de 20% dos animais estão com
diarréia, considerar o lote como afetado, classificar quanto
à intensidade da seguinte forma: nenhum dia com diarréia por
semana = lote sem diarréia; um a três dias por semana com
diarréia = lote com pouca diarréia; quatro ou mais dias com
diarréia = lote com bastante diarréia.
- Tosse e Espirro: essa avaliação é realizada
para se estimar a ocorrência de rinite atrófica e de pneumonias
em lotes de suínos nas fases de creche ou crescimento/terminação.
Um índice é estabelecido para tosse e outro para espirro,
em três contagens consecutivas de dois minutos cada, realizadas
da seguinte forma:
a)- movimentar
os animais durante um minuto;
b)- aguardar por um minuto;
c)- realizar a contagem de tosse e espirro simultaneamente;
d)- movimentar os animais;
e)- contar novamente;
f)- movimentar os animais;
g)- contar novamente.
A freqüência é determinada
pela seguinte fórmula:
Média das três contagens
/ Número de animais no lote x 100
Freqüência de espirro
menor que 10% indica pouco problema de rinite atrófica e freqüência
de tosse menor que 2% indica pouco problema de pneumonias
(Referência n° 26).
- Onfalite: reflete a qualidade do
manejo do recém-nascido e do programa de limpeza e desinfecção
da maternidade. Examinar no mínimo cinco leitegadas, entre
15 a 20 dias de idade, por sala de maternidade, quanto à presença
de nódulo ou má cicatrização umbilical por inspeção e palpação
(leitão em decúbito dorsal). A seguir, calcula-se a freqüência
pela seguinte fórmula:
Número de leitões com onfalite
/ Número de leitões examinados x 100
A freqüência de leitões com esse
tipo de alteração não deve ser superior a 10%.
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| Monitorias laboratoriais |
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A monitoria de doenças usando recursos laboratoriais como testes
sorológicos, microbiológicos, parasitológicos e histopatológicos
possibilita o acompanhamento mais preciso da saúde do rebanho.
Existe uma variedade de testes disponíveis no mercado para atender
às diferentes doenças. A decisão de qual teste usar e para qual
doença deve ser tomada pelo veterinário responsável pela granja.
O acompanhamento clínico do rebanho, uso de vacinações e/ou
medicações devem ser considerados na interpretação dos resultados.
Os testes podem ser diretos como
a identificação e caracterização do agente, muito úteis no diagnóstico
e acompanhamento do rebanho, ou indiretos. Entre os indiretos,
os mais comuns são os testes sorológicos que medem a presença
de anticorpos contra determinado agente e são utilizados no
auxílio ao diagnóstico, na avaliação de efeito da vacinação
e no acompanhamento de duração de anticorpos maternos. A prova
da tuberculina pareada é um teste indireto imuno-alérgico utilizado
para classificar o rebanho quanto à infecção por microbactérias
(Referência n° 28).
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| Monitorias
no abatedouro |
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A forma vertical da organização dos sistemas de produção de suínos,
prevalente na região sul do Brasil, facilita a visita aos abatedouros
para acompanhamento do abate de lotes de interesse. Desta forma
pode-se estabelecer um programa de monitoria de doenças, através
da determinação da prevalência e gravidade de lesões observadas
ao abate. Embora as lesões observadas no abate digam respeito
à infecções crônicas e sua evolução depende das condições sob
as quais os animais foram submetidos, continua sendo uma prática
muito útil pelo seu baixo custo e praticidade, mas necessita de
pessoa treinada para executá-la (Referência n° 21).
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